A troca de insultos corria na cidade. E Vitalino logo percebeu que deveria colocar um paradeiro naquela baixaria. Nomeou Maria Tu, a velha prostituta para o cargo de ouvidora-mor. Era preciso que alguém de boa reputação colocasse ordem na casa, no Viamão. O primeiro ato da ouvidoria foi baixado no mesmo dia da nomeação: “Nenhum cidadão dessa República Atrevida, administrada por José Vitalino Luiz dos Santos. Poderá, de agora em diante, usar ou abusar da jumentinha do Aniceto. Significa, pelo exposto no inciso primeiro deste decreto, que a jumentinha não poderá mais concorrer com as mulheres do Viamão. Cada cidadão que for flagrado conquistando a jumentinha deverá pagar ao Aniceto uma quarta de milho por semana. O cereal será destinado ao animal”.
Por ironia, o delegado Zizito, nomeado guarda da jumentinha do Aniceto, lavrou o primeiro flagrante incriminando Vitalino e seu ajudante André. Enquanto Vitalino “cobria” a jumentinha, André segurava o beiço do animal. E até cumpria ordens do prefeito que, quando ofegante, gritava de trás lá para frente: “Beije ela aí André”. A jumentinha ganhou a quarta de milho, cabresto novo, mas por decisão de Vitalino deveria permanecer no quintal da Prefeitura. Lá, ela e o prefeito estariam salvos de novos vexames. A Câmara dos Vereadores tentou impedir tamanha regalia dada à jumenta, mas Vitalino argumentou: “Benfeitora que é, a jumenta merece até título de cidadã honorária”.
No dia seguinte um projeto chegou à Câmara, assinado pelo chefe do Executivo: “Essa edilidade declara e eu, prefeito da República Atrevida do Viamão prontamente sanciono o presente projeto de lei, que declara cidadã honorária dessas paragens a Jumentinha do Aniceto. Para efeito de comprovação da importância de tal projeto, invoco o testemunho de quantos dela tiraram proveito, e também a coragem dos senhores vereadores, todos dela conhecidos de longa data e muitas noites”, dizia o texto. Numa só reunião o projeto virou lei, em primeira, segunda e terceira votações. A jumentinha foi condecorada e levada ao quintal de Vitalino para as devidas comemorações.
Por ironia, o delegado Zizito, nomeado guarda da jumentinha do Aniceto, lavrou o primeiro flagrante incriminando Vitalino e seu ajudante André. Enquanto Vitalino “cobria” a jumentinha, André segurava o beiço do animal. E até cumpria ordens do prefeito que, quando ofegante, gritava de trás lá para frente: “Beije ela aí André”. A jumentinha ganhou a quarta de milho, cabresto novo, mas por decisão de Vitalino deveria permanecer no quintal da Prefeitura. Lá, ela e o prefeito estariam salvos de novos vexames. A Câmara dos Vereadores tentou impedir tamanha regalia dada à jumenta, mas Vitalino argumentou: “Benfeitora que é, a jumenta merece até título de cidadã honorária”.
No dia seguinte um projeto chegou à Câmara, assinado pelo chefe do Executivo: “Essa edilidade declara e eu, prefeito da República Atrevida do Viamão prontamente sanciono o presente projeto de lei, que declara cidadã honorária dessas paragens a Jumentinha do Aniceto. Para efeito de comprovação da importância de tal projeto, invoco o testemunho de quantos dela tiraram proveito, e também a coragem dos senhores vereadores, todos dela conhecidos de longa data e muitas noites”, dizia o texto. Numa só reunião o projeto virou lei, em primeira, segunda e terceira votações. A jumentinha foi condecorada e levada ao quintal de Vitalino para as devidas comemorações.
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Fred
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